Convocações Inesperadas12 Dez 2011
Dia desses, antes de vir para o escritório, fui à musculação.
Cheguei ao Iate Clube, onde fica a academia, e, fiz, normalmente, os exercícios da série do dia.
Na verdade, não fiz todos, pois uma hora não fora tem suficiente.
Enfim, em torno das 8 e meia da manhã, desci da academia até piso inferior do clube e fui ao banheiro para me trocar para vir ao escritório.
Quando entrei no banheiro, notei que algumas luzes estavam piscando. Eu estava sozinho.
Pressionei os interruptores, mas, mesmo assim, as luzes permaneciam piscando.
Ignorei a situação, pois estava com pressa.
De repente, no espelho apareceu uma mensagem: "Procedimento de decolagem iniciado. Decolagem autorizada."
Começou, então, um barulho ensurdecedor. Parecia que eu estava no meio de uma pista de aeroporto, sem protetores auriculares.
Logo, depois disso, uma força muito intensa me levou ao chão. Eu não conseguia me mover. Parecia que eu estava grudado no chão. E o barulho continuava ensurdecedor.
Isso durou cerca de uns dois minutos.
Quando, de súbito. Tudo parou.
O barulho parou. As luzes pararam de piscar. Permaneceram acesas.
E eu pude me levantar do chão.
No espelho, a mensagem: "A Nave ultrapassou a atmosfera terrestre. Status: Em Órbita."
Fui em direção à porta, tentei abrí-la, mas não consegui.
As janelas estavam totalmente seladas.
Não era uma boa hora para estar num Banheiro Espacial.
Inquietei-me, pois estava atrasado para o trabalho.
Eis que no espelho aparece uma figura conhecida.
"Terráqueo, tivemos que convocá-lo com urgência. É uma assembléia extraordinária, na qual decidiremos
se produziremos um biscoite de Cereja com Chocolate ou de Cereja com Baunilha."
Está ficando cada vez mais difícil de explicar, no escritório, a razão dos meus atrasos.
"A Rebelião"09 Dez 2011
Dia desses, antes de chegar ao escritório, passei na padaria, como sempre faço às sextas-feiras, e comprei alguns mini-pães-de-queijo e um suco de laranja de garrafinha.
Paguei as guloseimas. Saí da padaria e vim caminhando em direção ao prédio onde fica o escritório.
O escritório fica na mesma quadra e no mesmo lado da rua da padaria, a uma distância de uns 30 metros.
Eu caminhava despreocupado. Porém, quando eu estava a passar na frente de uma loja de roupas, no meio do caminho, distraído, topei com senhora, que saía pela porta de entrada do estabelecimento.
Parecia uma mulher de classe. Pedi desculpas. Eu ia seguir adiante, mas o olhar dela me fulminou!
Eu não sabia o que fazer.
"Tudo bem, senhora? Aceita um pão-de-queijo?"
"Não, meu filho." "Não estou com fome, nem sede." "Aliás, nunca senti fome ou sede."
Que mulher estranha.
"Tá.. bom.. senhora." "Até..."
Virei as costas a ela, mas, então, ouvi "preciso dos seus serviços, meu filho"
Caramba.. Estava atrasado para o escritório.. "Como é, senhora?"
"Veja, meu filho. Repare as pessoas que estão passando por nós. Veja como elas estão te olhando de modo estranho. Veja, agora, se alguma delas dirige o olhar para mim."
...
"Eles não me veem, meu filho."
A mulher devia estar na crise dos 50 anos.. "A senhora é muito bem apessoada. Com certeza deve haver vários homens atrás da senhora. E eu não faço essas coisas.."
"Não, meu filho. Não é isso. Estou dizendo que eles não são capazes de me ver. Estou dizendo que não conseguem ver o meu corpo, a minha presença."
Era maluca..
"Senhora.., um bom dia. Fique com Deus."
Eu ia dar meia-volta, mas fiquei encucado e perguntei a uma faxineira da loja que varria a fachada se ela, a faxineira, tinha conhecimento de quem era aquela mulher.
"Que mulher?" Disse a faxineira. "Ora, aquela senhora, ali." "Ah, rapaz, eu estou ocupada, não me venha com palhaçadas..."
A senhora me fitava e se ria de mim.
Perguntei novamente à faxineira, e ela: "Ô, seu maluco, me dá licença. Não conheço o senhor. Se continuar me incomodando, o senhor vai ver."
Um dos vendedores da loja que reparou a minha conversa com a faxineira, veio em nossa direção e perguntou: "Algum problema aí dona Terezinha??" "Esse rapaz tá te incomodando?"
Eu falei para ele que eu só queria saber quem era aquela senhora bem vestida.
"Olha, meu amigo. Se o senhor tem algum problema, o senhor não devia ficar andando sozinho na rua. Ele tá ozinho, dona Tereza?"
"Deve tá, seu Jairo."
"Bom, meu amigo. Não tem ninguém onde o senhor está dizendo. Por favor, saía da frente da loja, ou chamaremos a polícia."
Eu fiquei abismado com aquilo.. E a senhora continuava se rindo de mim.
O vendedor, então: "Vamo amigão. Rapa fora!"
A misteriosa mulher veio a mim: "Venha, meu filho. Vamos conversar."
Eu estava meio em choque, e continuei andando para o prédio do escritório, sem coragem de olhar para a senhora, que andava ao meu lado.
Perguntei, olhando para frente: "A senhora está morta?"
"Hahaha. Claro que não meu filho. Você não está me vendo?"
"Mas porque só eu estou vendo a senhora?" "Eu devo estar maluco." "Estou tendo alucinações."
"Não, meu filho." "Você já ouviu falar de mim. Apesar de eu ter a forma humana, não sou meramente humana.
Vocês me conhecem pelo nome de "sorte", "acaso", "coincidência".
Entrei no prédio do escritório. Cheguei ao elevador. Ela continuou me seguindo.
Eu fechava os olhos, tentando fazer a alucinação cessar. Porém, ela permanecia ali.
"Ela é muito bonita." falou a senhora. "Quem?! Como é?!" Perguntei a ela.
"A mulher que virá ao teu escritório, hoje. - Respondeu"
"Aquela sapeca...haha. Só cria confusão. Precisamos dos seus serviços. Dos seus serviços advocatícios..."
"hum.. e a sua irmã é quem? O Azar? haha.."
"Justamente."
"Ah... a senhora é a Sorte...e o Azar, ou melhor, 'A Azar' virá ao meu escritório, hoje. Por acaso, estou no meio de uma guerra cósmica? hahaha.."
"Não diria que é uma guerra, pois o Universo, sempre foi assim.
Nós complementamos uma à outra."
"Na verdade, o Universo é uma mistura nossa."
"Que bagunça... E quem controla isso? E Deus?"
Eu já estava na minha sala, e a senhora, a "Sorte", estava sentada numa das cadeiras que hava á minha frente.
"Pois, então, meu filho. É isso que nós viemos.." Tocou a campainha.
Visualizei pelo olho de gato uma morena usando um vestido curtinho, com coxas perfeitas e com um sorriso lindo.
Será que é por isso que algumas mulheres linda me deram Azar. Vai ver elas eram o próprio.
Abri a porta.
"Olá, doutor. Desculpe-me pelo atraso. Nossa! A cidade está um caos! Vi uns 10 acidentes pelo caminho, e, olha que dei sorte, pois acho que, depois que subi, o elevador de vocês enguiçou, hahaha." Ela riu com um sorriso cínico. Mas continuava linda.
A Sorte veio ao nosso encontro. As duas trocaram olhares de comprimento. "Está atrasada.."
"É fácil, para você chegar na hora, pois você pega todos os sinais verdes.. não é?" Replicou a Azar. Sorriso Cínico. Linda.
A Sorte tomou a palavra: "Vamos ao que interessa. Meu filho, você me perguntou quem é que organiza essa bagunça entre eu e ela. Então. Até hoje, ninguém. Esta história de Deus é coisa de vocês. Mas nós estamos querendo por ordem nas coisas. Viemos, pois, procurar um profissional. Um advogado. Queremos que faça um contrato, estipulando os horários e a área de atuação de cada uma. Queremos determinar quando cada uma poderá entrar de férias, essas coisas..."
Pensei um pouco..
"Ah, vocês querem que eu determine a atuação da Sorte e da Azar.... Eu?... Então, vocês querem que eu seja Deus?!"
As duas se entreolharam, olharam para mim, e disseram: "Se você quiser chamar assim. Fique à vontade."
Bateram na porta.
Quem seria?
As duas ficaram muito inquietas..
Algo estava estranho.
Quando olhei pelo olho de gato, ninguém vi.
"Ueh.." Ao virar para trás. O que!! "Quem é o senhor?!"
"Sou Deus. Perdoe o comportamento das minhas filhas. Rebeldia dessas meninas..."
Enfim. Descoberto o plano das duas, percebi que não era do meu trabalho que precisavam.
Indiquei-lhes os serviços de um terapeuta familiar, amigo meu.
"O despertar da Medusa"08 Dez 2011
Dia desses, antes de vir para o escritório, fui cortar o cabelo.
Corto, sempre, com a Mara. A Mara é uma pessoa boa, Cristã, muito calma, aparentemente, inofensiva.
Eis que era uma manhã normal, por volta de 8 e meia, quando cheguei para cortar o cabelo.
Ela me atendeu, e pôs-se a cortar. De fato, a habilidade da Mara com a tesoura me impressionava. Eu nunca havia visto alguém fazer um corte de cabelo tão rápido, com tanta perfeição, sem deixar um arranhão no cliente.
Enfim, conversavamos sobre a vida, escutávamos as notícias na TV... De repente, um estrondo!!
As portas de vidro do salão se estilhaçaram! Cinco homens, fortemente armados, encapusados,portando metralhadoras, formaram uma barreira na entrada do salão! O que era isso???
Quem iria querer assaltar o modesto salão de uma cabeleireira?? E ainda desta forma??
Fiquei estático, pois não tinha para onde correr.
No entanto, impressionou-me a tranquilidade e a firmeza no olhar da Mara...
Ela fitava aqueles cinco homens como quem pudesse confrontá-los, e, ainda por cima... será?..., pareceu-me transparecer certo temor nos olhos daqueles homens...
A Mara, então, serenamente, perguntou: "O que vocês querem, aqui?" "Já disse que parei.."
Um deles replicou: "Você sabe... Ninguém se desliga da aliança..."
O que que esse povo tá falando??!! Aliança??! Mara?! Que isso?! Pus-me a rezar..
"Deixem o rapaz ir embora.. Ele nem faz idéia do que está se passando..." disse a Mara.
"Você sabe... Medusa... Somos invisíveis.. Se alguém nos viu, é poque já não pertence mais a esse mundo..."
???!!!### Já era...
Ela olhou nos meus olhos, deu-me uma piscadela, voltou-se para os cinco homens e disse: "Foi bom trabalhar com vocês.." De repente, num movimento tão rápido que nem pude ver direito, Mara saltou para o lado oposto do salão, atraindo a mira das armas em sua direção, mas, antes que pudessem atirar, os cinco homens cairam sem vida, no chão, cada um com uma tesoura cravada acima dos olhos!!!
Como??!
A Mara veio em minha direção, não tinha para onde eu fugir, eu implorava "por favor!!!... Não me mata... Não..."
Ela me disse: "Não gosto de matar.... Tenho que me mudar denovo... É uma pena... Gostava deste trabalho, deste salão... É bom você ir embora, Rodrigo, pois certamente outros serão mandados aqui, atrás de mim..."
Não consegui pronunciar uma palavra, sequer.. Olhei a ela com olhos agradecidos. "Hoje, não precisa pagar...", ela me disse, e piscou novamente para mim.
Fui correndo em direção ao carro, e um pensamento me maltratava...
E agora? Onde eu iria achar uma outra cabeleireira que cobrasse apenas 15 reais?
"Que a força da Cereja esteja com vocês."07 Dez 2011
Dia desses, estava eu no escritório, quando, para a minha surpresa, agradável surpresa, minha namorada
apareceu, para me visitar.
Não bastasse a graça e a beleza da minha pequena, ela ainda me trouxe uma caixa de bombons de chocolate recheados com cereja.
Nós sentamos e conversamos um pouco, enquanto comiamos alguns bombons. Na verdade, eu comia e ela olhava.
Logo, a mãe dela telefonou para ela, e, então, minha pequena teve de ir embora.
Fui até à porta e me despedi dela.
Ao retornar à minha sala, porém, não encontrei a caixa de bombons, a qual deveria estar sobre minha mesa, contendo ainda uns três bombons.
Estranhei... "Será que a Mari levou embora...?". Não... Minha pequena não iria levar meu presente embora..
Foi, então, que senti um frio na espinha. Era um frio de verdade, que vinha da corrente de ar proveniente da janela escancarada.
Senti a tensão de estar sendo observado...
Então, ao olhar para a janela... O que era aquilo??
Havia sete seres com aparência humanóide, os quais, porém, apresentavam na pela uma pigmentação vermelha-roseada ou rósea-avermelhada, e, cada um, ainda, ostentava uma coroa em sua cabeça.
Tomei um grande susto, mas não fiquei desesperado, pois todos eles transpareciam nobreza e tranquilidade.
Notei que um deles segurava a caixa de bombons de cereja, e este mesmo tomou a palavra, em nome do grupo:
"Olá Terráqueo! Nós somos os sete príncipes do Planeta Kollykopoksf, que na sua língua se traduz em Planeta Cerejiano."
"Desde o´início dos tempos, a força da Cereja é que tem mantido a ordem em todo o Universo."
"No entanto, os inimigos do bem, os habitantes do Planeta Jokogohjfpof, que na sua língua se traduz em Planeta Morango, conseguiram enfraquecer grandemente a força da Cereja no Universo, induzindo os seres dos planetas habitados a consumirem mais o morango e a Rejeitarem a Cereja."
"O Universo se encontra à beira de um colapso, e a última cartada que nós, os Guardiões da Força da Cereja, encontramos foi a de convocar um exércitos interplanetário de Cerejianos, ou seja, daqueles que não desistiram da Cereja."
"Este pacote de bombons de Cereja foi deixado na Terra há 240 mil anos, quando os habitantes do Planeta Morango lideraram o início da grande revolta contra a força da Cereja."
"Não fomos nós que te escolhemos, mas sim a Força da Cereja!"
"Nós não temos tempo a perder. Veja como o Morango tomou conta do seu mundo, e veja como este seu Planeta vive na barbárie."
"É preciso reverter este quadro! É preciso difundir a Cereja!"
"Precisamos partir, agora."
"No entanto, você só se tornará o Guardião da Cereja do seu Planeta, se você aceitar o chamado
da Força da Cereja."
"Não será fácil, mas o bem há de prevalecer, e a Cereja há de voltar a reinar, como no princípio dos tempos!"
"Você aceita, Terráqueo?!"
Serenamente, respondi: "Sim, aceito".
"Receba, pois, os poderes da Cereja!!!"
Enfim, eles me conseguiram um emprego como representante de vendas dos Bombons de Chocolate com Cereja da "Montevérgine".
"A grande cartada"06 Dez 2011
Dia desses, estava no escritório e tentava redigir uma petição inicial relativa a uma ação de revisão de mensalidade de plano de saúde.
Um bloqueio mental tomou conta de mim. Levantei-me, busquei um copo d'água, bebi o copo d'água, respirei fundo, espichei os braços, tomei coragem, e não deu certo.
Resolvi esperar uns dez minutos. Fiquei dando voltas pelo escritório, buscando inspiração, mas, ao sentar na frente do computador, percebia-me, ainda, bloqueado.
De repente, entrei em pânico. "Há, de certo, algo errado comigo!" - pensei. "E agora? Será que é grave?"
Devido à natureza dramática inerente à Síndrome do Pânico, imaginei , de pronto, minha família acompanhando o meu velório, muito choro, principalmente de algumas pessoas para quem eu devia algum dinheiro e alguns risos, também, de ex-namoradas.
De súbito, ocorreu-me o desespero de pensar o que seria daquele ser amado que eu estava deixando na Terra, que me dera tanto amor e que era a razão da minha vida. "O que seria da Raquel, minha salamandra guatemalteca?" Somente eu sabia onde comprar a sua ração.
Enfim, na angústia, recebi uma luz.
Eu não tinha plano de saúde. O meu plano era permanecer com saúde. Mas este plano, então, estava indo por água abaixo.
E, assim, ante a necessidade e a questão de vida ou morte, muito provavelmente de morte, resolvi assumir a identidade do meu cliente, apenas temporariamente, a fim de gozar dos serviços concedidos pelo plano de saúde dele.
Infelizmente, a carterinha do plano de saúde possuia foto, e, portanto, tive de enfaixar a minha cabeça, e deixei apenas os olhos aparecendo. Coloquei óculos escuros.
Dirigi-me, rapidamente, ao hospital mais próximo, apresentei a carterinha, disse da minha situação catastrófica, e, após relatar o que me passava, a atendente, aos gritos, começou a clamar aos funcionários do hospital que me levassem logo para a sala P. "P de prioridade..." - imaginei.
Era, no entanto, a sala de "Preenchimento" de formulário.
Demorei duas horas e trinta e sete minutos para preencher o formulário. Ao final, estava recuperado do ataque, o que foi muito bom, pois descobri no formulário que o plano de saúde não cobria o tratamento para a "Síndrome do Pânico", tampouco para bloqueios verpertinos.